Vida Consagrada e Testemunho

Vida Consagrada e Testemunho

Dá-me filho meu o teu coração, e os teus olhos se agradem dos meus caminhos.” (Provérbios 23.26)

Estas duas atitudes, vida consagrada e testemunho, requerem o coração como centro motivador. Jesus segue esta linha de pensamento em Mateus 6.21: “Porque onde está o teu tesouro aí também estará o teu coração.” Se a vida consagrada e testemunho têm como centro motivador o coração, é preciso refletir sobre as causas impeditivas, isto é, aquilo que bloqueia, impede que nossos olhos se agradem do caminho do Senhor. Vamos citar três causas:

I. Foco existencial não centralizado em Cristo (Mateus 6:24-34)

O texto de Mateus 6.24, diz que ninguém pode servir a dois senhores, porque há de aborrecer de um, e amar o outro, ou se devotará a um e desprezará o outro, não poderás servir a Deus e as riquezas. Riquezas aqui representa um foco, existem outros. O fato concreto é que nossa devoção exige fidelidade absoluta: Deus ou riquezas (ou outras coisas).

Mateus 6.25 diz: “não andeis ansiosos pela vida...” (preocupações terrenas legitimas e mesmo desnecessárias). O sentido aqui da palavra ansiosos no grego  μεριμνάω / merimnāo, se relaciona a distração, isto é, desfocado daquilo que é central, como nos exorta Mateus quando diz: “Buscai, pois, em primeiro lugar o seu reino (de Deus) e a sua justiça, e todas estas cousas (necessidades terrenas) vos serão acrescentadas” Daí, segue-se que nossa devoção (vida consagrada e testemunho) ocupam lugar prioritário na mente e coração de Deus para nós.

II. Natureza terrena não crucificada (1ª Samuel 15.1-5)

A eficácia de nosso batismo é atestada pela “novidade de vida” (“Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida. Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição, sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos...” Rm 6.3-6).

No texto de 1ª Samuel 15.1-5, Deus ordenou a Saul, destruir a Amaleque e tudo que ele tivesse (1ª Samuel 15.3). Antes, quem era Amaleque? O que fez Saul? Amaleque era descendente de Esaú, aquele que vendeu seu direito de primogenitura por um prato de lentilhas (Cf. Gênesis 25.27-34). Esaú satisfez primeiro o apetite natural da carne. Foi a descendência de Esaú que atacou Israel no deserto. Amaleque representa a carne, a natureza decaída. Saul preservou o melhor da carne, o rei e as coisas boas do rei (1ª Sm 15:9); e ainda tinha a intenção de sacrificar coisas contaminadas ao Senhor (1ª Sm 15:15-21). É isto que faz a religiosidade. O ritual, a forma valem mais que a vontade expressa do Senhor (1ª Sm 15.22). O que ordena a palavra do Senhor em relação a natureza terrena? “Fazei pois morrer a vossa natureza terrena...” (Cl 3:5). Mantendo o foco certo da consagração: “Buscar, pensar e viver as coisas do alto, onde Cristo, que é nossa vida, vive.” (Cl 3:1-4).

III. Coração dividido (2ª Coríntios 6:14).

Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos...” 

Se vida consagrada e testemunho requerem o coração, este precisa estar resoluto, não pode estar dividido, ou seja, associado, em comunhão, em harmonia, unido e ligado, com quem não esteja nesta condição com Cristo. Se colocar em jugo desigual impede a vida consagrada e o testemunho, porque impede o andar de Deus conosco e a santificação (Cf. 2ª Co 6.16-18 e 7.1).

Sendo assim, a vida consagrada e testemunho requerem o coração integro, totalmente devotado ao Senhor, a Sua palavra e a Sua obra. Somente os justos tem acesso a presença de Deus (Rm 5.1-2 comparar com Sl 118.19-20; Is 26.2 e Sl 15.24).

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