A Igreja e os pobres

A Igreja e os pobres

A Compaixão de Deus e a Responsabilidade Social da Igreja

Trechos da mensagem de Jamê Nobre no Encontro de Pastores e Líderes na Cidade de Serra Negra - SP/Outubro de 2010

"Vós sempre tendes convosco os pobres e, quando quiserdes, podeis fazer-lhes bem" (Mc 14, 7).

É preciso entender que a decisão é racional e não emocional: “quando quiserdes”. A idéia que Jesus nos dá, quando fala, “quando quiserdes” é que nós tomamos a decisão de amparar os pobres, ou não. “Recomendando-nos somente que nos lembrássemos dos pobres, o que também procurei fazer com diligência” (Gl 2.10). Nesse versículo Paulo recebe uma recomendação e toma a decisão de colocar isso como parte de seu ministério.A Compaixão é do Senhor e a atitude é nossa. Da mesma forma que Deus amou o mundo, por isso enviou Jesus, assim também o Senhor se compadece do pobre, do necessitado e nos envia a demonstrar essa compaixão.

A assistência aos pobres – uma manifestação da Justiça de Deus, através de pessoas:

“O justo se informa da causa dos pobres, mas o ímpio nem sequer toma conhecimento.” (Provérbios 29:7).

“A existência de milhões de empobrecidos é a negação radical da ordem democrática. A situação em que vivem os pobres é critério para medir a bondade, a justiça e a moralidade, enfim, a efetivação da ordem democrática. Os pobres são os juízes da vida democrática de um país" 1

“Existe no entanto outra maneira, também antiga, de tratar o problema. A idéia de que as causas da pobreza e os caminhos para sua solução não dependem da vontade ou do caráter dos indivíduos, mas das relações entre as pessoas; Isto sempre esteve presente nas formas mais radicais do cristianismo, e, na época moderna, nos escritos e movimentos políticos socialistas e comunistas. Para uns, a solução dependia ainda de uma regeneração moral, não mais dos pobres, mas dos ricos, cujo egoísmo e avareza deveriam ser transformados em verdadeira caridade e sentimento de justiça.” 2

Fatores que geram pobreza

  1. Egoísmo – Concentração de renda;

  2. Má administração;

  3. Políticas erradas – que trabalham no curto prazo, sem continuidade;

  4. Desperdício – por falta de conhecimento da situação ao redor – (Filosofia da Obsolescência);

  5. Valores equivocados – Coisas são mais importantes que pessoas – ter é mais importante que ser – grandes construções que não contribuem para a melhoria de vida dos seus membros;

  6. Descuido com o ambiente – degradação e empobrecimento da terra – tentativas de correção (enriquecimento) com o uso de produtos químicos provocando, com isso, maior desequilíbrio do ambiente – uma conseqüência direta -> ‘inchaço’ dos centros urbanos com degradação da qualidade da vida e,

  7. Cultura colonizadora extrativista – O que posso tirar? Qual vantagem posso auferir?

Qual a tarefa da Igreja?

Os pobres precisam ser incluídos na ação proposital da Igreja. A Igreja Precisa ser mais “terrenal” e menos “celestial” em suas ações, ainda que o seja em sua expectativa. As ‘ruas de ouro’ com suas ‘mansões’ criaram uma expectativa falsa gerando um conformismo com o status quo. A Igreja precisa perder a mentalidade capitalista de juntar e caminhar para o repartir e o espalhar:

 

  1. Ec. 11.1,2; 2ª Co 9.9 – Lançar o pão sobre as águas, repartir com sete e com oito, espalhar, dar aos pobres;

  2. Precisa adquirir uma mentalidade comunitária e cooperativista, com empreendimentos que possam mudar a forma de vida das pessoas de forma holística: ressurreição espiritual, renovação da mente, mudança comportamental e melhoria da vida e,

  3. Precisa sair do sistema que aduba o sistema financeiro opressor, isso significa usar menos os bancos e investir mais na vida das pessoas, seja promovendo o empreendedorismo, seja pagando cursos para aprimoramento ou mudança de profissão.

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1. Documento da CNBB que trata da questão da pobreza no Brasil

2. Notas sobre o paradoxo da desigualdade no Brasil - Simon Schwartzman

 

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